Chegamos ao final do XVI Capítulo
Geral. Ao lançarmos um olhar conjunto sobre este tempo
compartilhado, podemos afirmar que vivemos uma experiência
na qual o Senhor se fez presente e nos disse palavras exigentes,
palavras de vida que geram esperança.
Cada uma das etapas com sua especificidade ajudou-nos a adentrar
na realidade de nosso mundo e discernir os apelos que o Senhor
nos faz a assumir “compromissos cordiais”, ou seja,
que nos tocam o coração e nos mobilizam a dar
resposta às necessidades de nossos contextos, compromissos
nos quais tem sentido investir as energias, capacidades e recursos
com os quais contamos.
O eixo temático do Capítulo, “Cultura,
identidade, interculturalidade e universalidade, a partir de
nosso horizonte de sentido: o Reino” motivou-nos
a dar mais um passo na rota traçada pelo Capítulo
anterior: “percorrer caminhos de encarnação
em nosso mundo”.
A partir desta linha de continuidade e avanço, deixamos
ressoar com força o convite a consolidar os passos dados,
aprofundar sobre as realidades que sempre nos interpelam e
ultrapassar as fronteiras do conhecido para, em diálogo
com o diferente, discernir as novas respostas que o caminhar
da humanidade nos pede.
O texto bíblico que recolhe a experiência capitular,
Jo 21, 1-7, expressa bem a graça recebida do Senhor
neste tempo: ir além, entrar no mais profundo e acolher
seu convite a “lançar as redes” com confiança
e generosidade.
Sabemos que lançar as redes em mar aberto nos expõe
a realidades inabarcáveis, a ventos e correntes existentes… portanto,
faz-se necessário ter claro o objetivo que se pretende
e enfocar as energias na mesma direção. Este
esforço comum torna possível vislumbrar sinais
que anunciam vida e reconhecer com alegria e humildade que
o fruto sempre será um dom.
Terminamos este processo capitular acolhendo alguns sinais
de vida que já existem e que evoluem, anunciando novos
tempos:
Religiosas e Comunidades Apostólicas, que vivem seu
sentido de pertença ao Corpo universal, comprometidas
em nível local e em atitude de abertura e acolhida à contribuição
oferecida pela dimensão plural e intercultural da Companhia
hoje.
Leigos e leigas que, por opção pessoal, caminham
conosco e, a partir de sua situação concreta,
envolvem-se cada vez mais na busca conjunta de respostas às
urgências do mundo atual, a partir do carisma educativo
de Joana de Lestonnac.
Grupos da Rede Laical que, em alguns contextos, consolidam-se
com uma identidade clara; pessoas de fé, que desejam
viver a espiritualidade da Companhia de Maria.
Jovens que manifestam explicitamente o desejo de construir
conosco propostas de evangelização para outros
jovens e oferecem o que são, para torná-lo realidade.
Experiências que confirmam que é real a acolhida à dimensão
intercongregacional, ecumênica e interreligiosa, como
um horizonte de colaboração, para tornar este
mundo mais habitável e humano, a partir de valores comuns
que apostam na dignidade da pessoa e no bem comum de todos
os povos.
Assim como acontece no mar, reconhecemos situações
que ameaçam a vida e que, tanto em nível pessoal
como comunitário, é necessário enfrentar
com lucidez e energia. Neste sentido, fica-nos a convicção
profunda de que, se todas escolhemos, com “determinação
deliberada”, viver nossa identidade de religiosas em
radicalidade, mantendo-nos em atitude de conversão e
atentas aos compromissos que estabelecemos para os próximos
seis anos, o Senhor nos dará vida em abundância,
para entregá-la no dia a dia, como Ele, até o
extremo.
Guardamos no coração muitas experiências… Que
Maria, Nossa Senhora, que sabe de fidelidade e de resposta
incondicional, nos anime a “lançar as redes” e
nos ajude a assumir, no dia a dia, os compromissos aos quais
nos sentimos chamadas como Corpo Universal, neste tempo de
graça. Tempo no qual se tornou evidente a união
de corações, que Santa Joana recomendava com
tanto ardor a todas as Casas da Ordem.
Recordamos com gratidão todas as pessoas que, ao longo
deste mês, compartilharam sua fé, seu tempo e
seu saber; através de sua colaboração,
foi possível avançar com a consciência
de que, entre todos e todas, construímos o Reino. À Comunidade
desta Casa Generalícia, às Comunidades da Itália
e a todas as pessoas que trabalharam para tornar possível
este Capítulo, nossa profunda gratidão. Agradecemos
também a todas as pessoas e Comunidades que, com sua
proximidade e oração, nos acompanharam e apoiaram
neste tempo.
Beatriz Acosta Mesa odn
Roma, 31 de julho de 2009
Festa de Santo Inácio de Loyola
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