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Palavras de abertura |
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Há seis anos finalizávamos nossa experiência capitular com o compromisso de percorrer com outros e outras caminhos de encarnação para tornar Deus visível em nosso mundo(1). Durante esse tempo temos palmilhado esse caminho em ritmo diferente, dando passos de acordo com a realidade de cada contexto, seguindo a direção planejada... Compreendemos, talvez com mais profundidade, que anunciar hoje o Senhor, no nosso carisma, passa por unir forças para oferecer uma educação humanista no mundo pluralista em que devemos viver. Convicção expressa com freqüência durante a celebração dos 400 anos da aprovação de nossa Ordem por S.S o Papa Paulo V.
Hoje nos reunimos de novo como Capítulo Geral, autoridade suprema do Instituto(2), para escutar essa palavra viva e eficaz(3), que Deus nos quer dizer neste momento da História. Uma palavra que, como espada de dois gumes, põe em evidência nossos erros, dá relevo a tudo o que é sinal de vida e nos chama a tomar decisões corajosas. em coerência com a luz recebida
A Companhia vive este Capítulo XVI em atitude de oração e esperança. Estamos conscientes de que nos encontramos em um momento histórico complexo, desafiador, em um mundo de grandes desigualdades, que enfrenta crises em diversos campos e que, ao mesmo tempo, conta com possibilidades inéditas que até faz pouco tempo eram inimagináveis para a ciência e a tecnologia. A realidade nos fala com força da interdependência que temos uns com os outros, da importância da ajuda mútua para poder avançar, da necessidade de cuidar do planeta e da vida que nele habita.
As pessoas, como responsáveis pelo presente e pelo futuro da humanidade, temos o compromisso de trabalhar pela dignidade de cada ser humano e pelo bem comum de todos os povos. Estamos chamadas a construir universalidade a partir do diálogo de identidades e do respeito e valorização de cada cultura. Esse é o tema que queremos aprofundar neste Capítulo Geral, para buscar caminhos que contribuam para levar a cabo o Projeto de Deus sobre o mundo(4).
A missão é grande... nosso fim, como Instituto Apostólico é consagrarmo-nos a ela com todas as forças, ainda que experimentemos o limite e a fragilidade em diversos aspectos. Viver essa situação de pobreza, com a confiança de que o Senhor continua necessitando de nós para estender seu Reino, anima-nos a fortalecer o sentido de Corpo e a entregar o melhor de cada uma para responder com criatividade e esperança, seguindo a tradição que tem mantido a Companhia ainda nos momentos de maior dificuldade.
Estes dias de Capítulo são uma ocasião privilegiada para avivar o fogo apostólico e nos exercitarmos na vivência do que queremos anunciar. Disponhamo-nos a construir essa experiência de interculturalidade como um sinal dos novos tempos: deixemos ressoar todas as vozes, vivamos a riqueza do diferente e façamos espaço ao espírito para que nos mostre “até onde” enfocar nossos esforços como Companhia Universal nos próximos seis anos. Em Maria, Nossa Senhora, espelho e síntese de nossa identidade, encontraremos luz para esse discernimento.
Nesta primeira semana, contar com a presença de leigos e leigas, corresponsáveis pela missão educativa e membros da Rede Laical, é também expressão dessa interculturalidade e do desejo de caminhar juntamente com outros e outras.
Em comunhão com a Igreja que não tem fronteiras, ao finalizar o ano Paulino, fazemos memória desse Apóstolo, mestre das gentes e evangelizador incansável(5); sua mensagem nos convida a ser portadoras da luz do evangelho, a irradiá-la em cada um, dos lugares em que estamos inseridas.
Juana de Lestonnac, de Deus, interceda por nós nestes dias cheios de significado e transcendência para a Companhia.
Beatriz Acosta Mesa odn
Roma, 1 de julho de 2009
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| 1.- XV Capítulo General. Documento final, Roma 2003, p. 226. |
| 2.-Constituciones de Gobierno, n. 37, Roma 2006, p. 89 |
| 3.- Heb 4,12 |
| 4.- Gn 1,31: “Vio Dios cuanto había hecho y todo estaba muy bien” |
| 5.- Cf. 1 Cor 9,16ss |
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